Sondastes todas as manhas o ar que respiro;
Num movimento constante que sopra por entre as flores;
Nada mais belo do que o observar e o sentir em tua criação;
Tão sublime dádiva a de em ti repousar e acalmar;
Teus rastros encantam meus olhos, um céu de matizes sem fim;
O sopro suave de tua presença; este vento consolador que faz dançar a quem toca;
Imenso, surreal e imensurável, todos os dias aquece-me com este amor trino;
Fraco e pecador que sou, deixo de ti louvar, deixo de te amar;
Anoiteço, faço do escuro real e das trevas limite;
Obstruído o Sol pulsa em meu coração;
Esquecida, a mais linda rosa perfuma minha consciência;
Ventos, sorrisos, lírios e pétalas;
Tudo sinestésico, tudo em um, TUDO em um vislumbre atemporal;
Por que insistes em me amar? Não o mereço, desisti, enlouqueci e cegamente trai;
Nunca me desamparas, força-me, impulsiona-me, e em meu vazio de dores plenas, preenche-me;
A muito penso em gritar, em correr, me inundar com este mundo de ideias sofistas;
Em viver como muitos, me homogenizar com estes, que riem, embriagam-se e relativizam;
Sei que tu me escolheste, sei que nesta minha fraqueza fortalece-me;
Tua voz grita a meus ouvidos, queima minha altivez com sua ressonância;
Necessito de ti seguir, e ainda que na solidão me encontrar, tua face me alegrara;
Serei teu, sou Todo Teu, que minhas dores e sofreres o louvem;
Que minha resignação por este mundo o engrandeça;
Tu me seduziste, tu me amaste, tu me salvaste....
